Lee Nguyen goal celebration vs. Montreal Impactt
David Silverman

Revolution vence, 1-0, e fica a um ponto de Montreal

Um golo de Lee Nguyen, aos 68 minutos, permitiu ao New England Revolution derrotar o Montreal Impact, 1-0, em jogo disputado no sábado à noite, no Gillette Stadium, perante 20.080 espectadores.

Com o triunfo, o quarto consecutivo em casa, sempre em jogos em que não sofreu golos, o Revolution ficou a apenas um ponto de Montreal e Atlanta, as duas equipas que presentemente se encontram empatadas no sexto lugar, último que dá acesso aos play-offs.

O técnico Jay Heaps fez uma alteração em relação à equipa que goleou Orlando City na última jornada, mas a entrada do central Antonio Delamea, que esteve ausente por se encontrar com a seleção da Eslovénia em jogos de apuramento para o Mundial de 2018, na Rússia, provocou uma outra mudança. Assim, Benjamin Angoua, que jogara ao lado de Claude Deilna no centro da defesa, transitou para defesa direito pelo que Andrew Farrell, que tem sido titular naquela posição durante quase toda a temporada, foi para o banco.

Esta era portanto um jogo que as duas equipas queriam e precisavam de vencer para poderem continuar a sonhar com a possibilidade de conseguirem o apuramento para os play-offs. Por isso foi disputado com grande intensidade e espírito de luta, mais parecendo que se tratava realmente de um jogo dos play-offs, onde quem perde vai para casa, quem ganha segue em frente.

Mau começo para o Revolution

O Revolution quase comprometeu as suas aspirações logo no início do jogo. Ainda não estavam decorridos 30 segundos quando um erro do central Claude Dielna permitiu que a bola chegasse até Chris Duvall. De imediato este encontrou Ignatio Piatti desmarcado, à saída da pequena área, mas o guardião Cody Cropper lançou-se bem e evitou o golo.

Para Jay Heaps a defesa de Cropper “foi um excelente exemplo” da nova atitude da sua equipa.

“O Claude [Dielna] fez um mau passe, mas o Cody [Cropper] respondeu bem e fez uma tremenda defesa no remate do [Ignatio] Piatti,” explicou Heaps. “O foco é esse, cobrir por alguém que comete um erro, porque vão haver erros, maus passes durante o jogo, pelo que é tudo uma questão de ver como é o que colega vai ajudar.”

“É um erro que o Claude não tem cometido e nós temos dito que como grupo temos que lutar uns pelos outros e cobrir uns aos outros,” acrescentou Copper. “Por isso para mim foi no primeiro minuto e para o Claude pode ser aos 50 ou 60 minutos.”

E na realidade a equipa não se deixou afetar por este susto e respondeu dois minutos depois. Scott Caldwell encontrou espaço na intermediária adversária, aproximou-se da baliza de Montreal e, como ninguém tentou pressioná-lo, decidiu-se por um remate, forte e rasteiro, que saiu a centímetros do segundo poste. O guardião Evan Bush lançou-se ao solo, esticou-se todo, mas não conseguiu chegar à bola. O golo esteve à vista.

E o Revolution tornou a ameaçar aos 13 minutos. Num excelente trabalho individual, Lee Nguyen evitou dois adversários e depois estourou, ainda de fora da área, obrigando Bush a defesa aparatosa.

O jogo foi prosseguindo, sempre com grande intensidade, muito disputado, ríspido por vezes.

Com Montreal a jogar em 3-5-2, o Revolution sentiu dificuldades em criar situações de perigo, enquanto os visitantes se mostraram em lances de bola parada, e aos 32 minutos estiveram perto do golo. Na sequência de um livre, um ligeiro toque colocou a bola à frente de Bleim Dzemail, que arrancou um remate violento, levando a bola a sair muito perto do poste.

O Revolution ainda ameaçou, aos 38 minutos. Um bom passe de Aguelo encontrou Bunbury solto na direita. O avançado do Revolution, em vez de rematar de primeira, deu um ligeiro toque na bola para evitar um adversário, e depois rematou rasteiro, mas Evan Bush lançou-se ao solo e segurou.

Susto a abrir a segunda parte

A segunda parte também não começou nada bem para o Revolution pois a turma visitante esteve muito perto do golo escassos dois minutos depois do descanso. O cruzamento de Chris Duvall encontrou Anthony Jackson-Hamel solto de marcação bem dentro da grande área. Mas, só com o guardião Cody Cropper pela sua frente, o avançado de Montreal rematou torto, ao lado. Foi a melhor oportunidade do jogo para os forasteiros.

Como o encontro continuava relativamente amarrado a meio campo, o técnico Jay Heaps fez entrar Diego Fagundez, para render Juan Agudelo. Com a alteração Heaps pretendeu trazer mais velocidade ao seu ataque, tentar criar desequilíbrios nas faixas laterais.

E o certo é que o Revolution pareceu ganhar mais acutilância com a mudança, chegando ao golo aos 68 minutos. Teal Bunbury teve nova arrancada pela esquerda e depois colocou a bola à frente de Lee Nguyen, que evitou um adversário antes de rematar forte e colocado, levando a entrar mesmo junto ao poste.

“Tivemos dois ressaltos fortuitos e o Teal fez um excelente trabalho ao tentar encontrar-me por duas vezes, a bola veio ter comigo e eu estava no lugar certo para finalizar,” explicou Nguyen quando descreveu o lance do golo na conferência de imprensa pós-jogo. “Ainda bem que o consegui.”

“Ele é um jogador de classe, tem mostrado isso ano após ano nos momentos cruciais, e esta noite era das mais cruciais,” acrescentou Jay Heaps.

E o segundo golo esteve mesmo à vista no minuto seguinte, numa jogada com assinatura de Fagundez. Depois de controlar uma tentativa de alívio, cruzou para o segundo poste, onde surgiu Kei Kamara a rematar e a levar a bola a embater com estrondo na trave.

Depois do golo o Montreal Impact foi obrigado a alterar o seu sistema de jogo para tentar chegar ao empate. Por isso, aos 72 minutos Jay Heaps tornou a virar-se para o banco, desta feita retirando um avançado, Teal Bunbury, para fazer entrar um médio possante, Xavier Kouassi.

Tal como fizera na semana anterior, Heaps considerou que Kouassi, com a sua vasta experiência, era o homem certo para “matar o jogo”.

O técnico de Montreal tentou responder, seis minutos mais tarde, colocando em campo um médio, Ballou Jean-Yves Tabla, no lugar de um defesa, Chris Duvall.

E aos 82 minutos, houve substituições simultâneas. No ataque do Revolution, o internacional Húngaro Krisztián Németh rendeu Kei Kamara. Já Montreal decidiu arriscar tudo, retirando mais um defesa, Shaun Francis, para fazer entrar outro avançado, Dominic Oduro.

Curiosamente, a substituição para o Revolution esteve muito perto de dar fruto, aos 88 minutos. Fagundez serviu Németh, no coração da área, tendo este conseguido alongar para Lee Nguyen, mas o remate, de ângulo já apertado, saiu demasiado alto.

Nos minutos finais deu-se o habitual chuveirinho para dentro da grande área do Revolution, mas a defesa da casa manteve-se serena e conseguir preservar a vantagem.

Um jogo de cada vez

As duas vitórias nas duas últimas jornadas permitiram ao Revolution aproximar-se do sexto lugar. Mas, a equipa não pode olhar muito para a frente, faltam sete jogos, três em casa e quatro fora, onde os Revs ainda não ganharam, pelo que é importante estarem totalmente focados apenas no jogo que se segue.

“Nós lidamos com um jogo de cada vez,” explicou o técnico Jay Heaps. “É por isso que temos que nos ajustar muito rapidamente para Atlanta porque esta semana estávamos focados apenas numa coisa, [o jogo contra] Montreal.

“Mantemos os jogadores concentrados apenas no jogo que se segue, focados como se fosse um jogo dos play-offs.”

“Estamos a tentar ir acima da linha de água [sexto lugar],” acrescentou Lee Nguyen. “Montreal tem uma boa equipa, deram boa luta, mas nós precisávamos dos três pontos e a rapaziada respondeu e felizmente eu consegui aquele golo.”

“Havia imensa pressão sobre nós, sabíamos da importância destes jogos, por isso estivemos muito focados durante toda a semana,” concluiu Antonio Delamea. “Treinámos bem, estivemos totalmente concentrados e isso resultou nesta vitória, e como tal estou muito orgulhoso na minha equipa.”

Jogo crucial em Atlanta

O adversário que se segue é o Atlanta United FC, equipa que joga amanhã, em casa, frente ao Dallas e depois recebe o Revolution na quarta-feira, com início pelas 19:00, no Mercedes-Benz Stadium.

Neste momento, o Revolution tem apenas menos um ponto do que Atlanta, mas a equipa estreante também tem menos três jogos disputados. Por conseguinte será um jogo crucial para o Revolution.

“Temos que manter a mesma mentalidade, não vai ser fácil,” reconheceu Lee Nguyen. “É mais uma excelente equipa que tem atacantes de grande valor. Por isso, se conseguirmos continuar sólidos e fechar os espaços defensivamente somos uma equipa que pode castigar os adversários no outro lado [ataque].

“Não vai ser uma tarefa fácil, vai ser uma batalha como hoje”

“É um ambiente muito difícil,” acrescentou Cody Cropper. “Tenho andado a segui-los de perto, a base de apoio dos fãs deles é incrível. Tenho amigos que residem lá, têm bilhetes de temporada e eles dizem que é incrível.

“Atacam bastante e vão atacar imenso, pelo que nós temos que fazer os ajustamentos necessários, manter o nosso esquema defensivo destes últimos jogos e transportar isso para aquele jogo.”

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