Teal Bunbury goal celebration vs. LA Galaxy
David Silverman

Ataque inspirado leva Revolution à vitória sobre o LA Galaxy, 4-3

Perante a maior assistência da temporada, 27.414 espectadores, o New England Revolution colocou ponto final numa fase que vira a equipa sofrer quatro derrotas consecutivas. Teal Bunbury, com dois golos no curto espaço de três minutos, foi o principal obreiro duma vitória tão difícil como justa sobre o LA Galaxy, 4-3, em jogo disputado no sábado à noite no Gillete Stadium, em Foxboro.

Apesar do mau registo recente, o Revolution entrou bem no jogo. Assim, o primeiro sinal de grande perigo ocorreu aos 10 minutos quando Kei Kamara desarmou Giovani dos Santos à entrada do meio campo adversário e depois, por ter notado que o guardião Brian Rowe estava demasiado adiantado, tentou um chapéu a 40 metros, mas a bola foi cair no topo das malhas da baliza visitante.

Mas, o Revolution adiantou-se mesmo no marcador, aos 16 minutos. Diego Fagundez fez um passe de 40 metros na direcção de Kelyn Rowe, que pareceu ter sido derrubado pelas costas por Jelle Van Dame. O árbitro nada assinalou, aparentemente porque a bola sobrou para Lee Nguyen, qu deu dois passos e rematou rasteiro. O esférico tabelou em Daniel Steres e mudou ligeiramente de direção, enganando Brian Rowe.

Foi o oitavo golo de Nguyen na temporada em curso, desfazendo assim o empate com o ausente Juan Aguedelo como melhor marcador da equipa.

Mas, a vantagem do Revolution durou apenas cinco minutos. Aos 22 minutos, Romain Allesandrino, na direita, cruzou para o coração da área onde surgiu Daniel Steres a desviar de cabeça, sem hipóteses para Brad Knighton.

O Revolution poderia ter-se adiantado novamente no marcador aos 30 minutos. Um cruzamento de Andrew Farrell na direção de Lee Nugyen foi desviado de cabeça por Bradley Diallo, mas este basicamente fez um passe que deixou Kei Kamara isolado, já dentro da área, na direita. O avançado do Revolution controlou com o peito, mas depois rematou torto, levando a bola a sair junto ao segundo poste e desperdiçando assim uma excelente oportunidade.

Mas, Kamara redimiu-se aos 34 minutos. Diego Fagundez teve uma arrancada vigoroso pelo centro do terreno e no momento certo soltou para Kei Kamara, que estava solto na direita. Desta feita o avançado do Revolution rematou fortíssimo e colocado, não dando hipóteses a Brian Rowe.

A vantagem manteve-se até ao intervalo.

Segunda parte começou mal 

Ao intervalo, Jermaine Jones, o internacional norte-americano que representou o Revolution em 2014 e 2015, cedeu o seu lugar a Dave Romney. Aliás, inicialmente pensou-se que o fato de Jones ter estado ausente durante mais de dois meses devido a uma lesão e só ter totalizado 51 minutos nos dois primeiros jogos depois de seu regresso iria colocá-lo no banco, especialmente porque o Gillette Stadium tem tapete artificial. Mas, o técnico do Galaxy, Curt Onalfo, decidiu apostar nele no início da partida.

Curiosamente, o Galaxy subiu nitidamente de rendimento depois da saída de Jones e conseguiu chegar ao empate aos 53 minutos. Na sequência de um pontapé de canto, a defesa do Revolution não conseguiu completar o alívio, pelo que a bola sobrou para Emmanuel Boateng, na direita. Este cruzou tenso para a entrada da pequena área, onde surgiu Dave Romney a cabecear. Brad Knighton ainda conseguiu desviar, mas nada pode fazer para impedir a recarga vitoriosa de Daniel Steres, que assim bisou na partida.

Nesta altura do jogo o Galaxy estava mais dinâmico, mais controlador, e ficou visivelmente animado pelo golo do empate.

Entrada de Teal Bunbury virou o jogo

O público começou a ficar receoso, pois o Revolution não conseguia sair do seu meio campo com a bola controlada e não havia ligação entre os vários sectores. A equipa limitava-se a defender e o Galaxy ia apertando o cerco.

Para tentar dar uma sacudidela no jogo, aos 65 minutos o técnico Jay Heaps fez entrar Teal Bunbury para o lugar de Scott Caldwell.

E a aposta do treinador do Revolution foi premiada quatro minutos depois, quando um excelente passe de Diego Fagundez encontrou Kelyn Rowe solto de marcação na direita. O internacional norte-americano fez um compasso de espera e no momento certo cruzou largo para o coração da área, onde surgiu Teal Bunbury a entrar de rompante e a finalizar de cabeça.

“Nós estabelecemos contato visual,” Bunbury explicou depois do final da partida. “Normalmente durante os treinos quando ele (Kelyn Rowe) faz aquele passe, ele gosta de levantar a cabeça e quando o Kelyn faz contato visual com alguém, normalmente ele coloca a bola de forma perfeita e por isso não houve mais que eu tivesse que fazer.”

E Teal Bunbury bisou aos 73 minutos. Foi mais uma jogada rápida, com Kei Kamara a entregar para Andrew Farrell, que arrancou em direção à linha final e depois cruzou atrasado, surgindo Teal Bunbury a rematar de primeira, sem hipóteses para Brian Rowe.

Mas os visitantes regressaram ao jogo aos 78 minutos. Alessandrini trabalhou o lance no flanco direito, foi à linha e cruzou. Brad Knighton esticou-se e conseguiu desviar, mas a bola tabelou num dos centrais da casa e sobrou para Ariel Lassiter, que rematou à meia volta, surgindo Andrew Farrell a lançar-se ao solo a tentar desviar, mas mais não fez do que confirmar o golo visitante.

Aos 84 minutos, Xavier Kouassi, que estivera ausente desde 31 de Maio, altura em que se lesionou na ponta final da partida frente ao New York City FC, rendeu Chris Tierney para tentar trazer mais músculo ao meio campo do Revolution. Kelyn Rowe recuou para defesa-esquerdo, e o Revolution conseguiu segurar a vantagem.

Jay Heaps explica entrada de Teal Bunbury

Para uma equipa que já não ganhava há semanas, este triunfo foi essencial para manter vivas as esperanças de chegar aos play-offs. E curiosamente o grande impulsionador foi um jogador que durante fases da época não entrou nas contas do treinador.

Na conferência de imprensa pós-jogo, o treinador Jay Heaps explicou que Teal Bunbury esteve para ser titular, mas à última da hora a equipa técnica optou por colocá-lo no banco.

“Ontem tive talvez a conversa mais dura com um jogador há já algum tempo,” revelou Jay Heaps. “Considerámos dar a titularidade ao Teal, não foi uma decisão fácil, perdi algum sono por causa disso, porque ele não esteve muitas vezes nas opções até os jogadores terem saído para a seleção.

“Mas, depois impôs-se, marcou um excelente golo aos Red Bulls em casa, treina arduamente, trabalha imenso todos os dias, por isso foi difícil. Para ser sincero e ser justo, ele não gostou e eu quero sempre que os meus jogadores queiram jogar, por isso esta foi uma das decisões mais difíceis.”

A partir do momento em que decidiu que Bunbury não estaria no onze inicial, a questão para Jay Heaps esteve em decidir qual a melhor altura para o colocar em campo.

“Durante todo o jogo eu sabia que ele estava irritado e zangado e eu sabia que se o colocássemos em jogo na altura certa, quando o jogo começasse a abrir um pouco, ele iria desfazer tudo,” acrescentou Jay Heaps. “Tenho que lhe dar todo o crédito, porque ele não aceitou bem ontem, mas comportou-se bem, chegou ao balneário com um sorriso nos lábios, mas estava zangado, entrou em campo e virou o jogo ao avesso e foi excelente.”

Teal Bunbury confirmou que não gostou de ter ficado no banco.

“Eu queria ter um impacto. Para ser sincero, eu entrei com uma certa atitude,” confessou Bunbury. “Eu queria ter jogado de início, penso que merecia, mas consegui entrar em campo e fazer o que fosse necessário, quer fosse trabalhar imenso em termos defensivos, ou marcar um golo, ou registar uma assistência, quis foi ter a certeza que fazia o possível para ajudar a minha equipa e ajudar-nos a ganhar.

“Neste momento precisamos de vitórias, e foi isso que esteve na minha ideia quando entrei no jogo.”

Problemas com as bolas paradas

Na análise ao jogo, Jay Heaps reconheceu que a sua defesa está a atravessar uma fase difícil. Assim, nos primeiros sete jogos em casa sofreu apenas cinco golos, mas nos últimos três encontros permitiu oito tentos.

“Dois dos três golos vieram em bolas paradas, 40 por cento dos golos deles (LA Galaxy) são de bola parada. Nós consideramos bola parada as primeiras e segundas situações,” explicou Heaps. “O primeiro golo foi um excelente exemplo disso, desviámos o primeiro (cruzamento), mas depois seguiram-se três ou quatro passes e a bola estava lá novamente, e eles ainda tinham os centrais dentro da (nossa) área, foi como se fosse um lance de bola parada. Não foi um cruzamento normal porque o (Daniel) Steres ainda lá estava, o (Jelle) Van Damme estava lá, estavam todos dentro da área, por isso precisamos de fazer um melhor trabalho a completar os alívios, a marcar os nossos homens.

“Os dois primeiros golos foram em lances de bola parada em que nós não lidámos adequadamente com as segundas oportunidades.’

Além disso, o treinador do Revolution mostrou-se desagradado com a forma como a sua equipa não consegue manter a mesma regularidade durante os 90 minutos.

“Penso que na primeira parte fomos excelentes. Além do golo no pontapé de canto, estivemos excelentes em termos defensivos,” relembrou Jay Heaps. “Nos primeiros 20 minutos da segunda parte, foi tudo muito fácil (para o Galaxy), muitos espaços e muitas linhas de passe. Não podemos ser duas equipas diferentes, não podemos ter personalidades múltiplas no mesmo jogo, sermos muito bons na primeira parte e depois regressar e ser uma equipa totalmente diferente.”

De qualquer forma, o mais importante no jogo foi a vitória, pois nas temporadas mais recentes a equipa tem atravessado fases negativas a meio da época. Este ano já ia em quatro derrotas consecutivas, pelo que novo desaire poderia ter comprometido quase de forma definitiva as aspirações da equipa.

“Há que dar crédito a LA, são uma excelente equipa, estiveram dentro do jogo e exerceram pressão sobre nós, mas nós conseguimos suster essa pressão e sair daqui com a vitória e isso é o mais importante, ganhámos o jogo, independentemente da maneira como decorreu, conseguimos os três pontos e isso é muito importante para nós,” disse Teal Bunbury.

“Sinto-me bem, sou um goleador, marcar um golo é bom mas marcar um golo que ajuda a conquistar os três pontos é mais importante,” acrescentou Kei Kamara. “Tive sorte neste jogo, mas estou feliz porque tive sorte e marquei.”

“Todos os anos temos jogado da mesma forma, entramos numa fase negativa e por vezes conseguimos sair dela,”concluiu Diego Fagundez. “Espero que este seja o ponto de viragem, vamos ter que lutar por cada ponto e espero que possamos chegar aos play-offs.”

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