Diego Fagundez 2016-17 primary
David Silverman

Oportunidades desperdiçadas explicam nova derrota do Revolution

No aproveitar é que está o ganho lá diz o velho ditado e foi precisamente isso que aconteceu na quarta-feira à noite, pois o New England Revolution não conseguiu concretizar algumas das boas oportunidades que criou, sofreu dois golos mal consentidos e acabou por perder, 3-2, frente ao New York Red Bulls, em jogo disputado perante 13.924 esoectadores no Gillette Stadium.

Este era o primeiro de quatro jogos consecutivos em casa, três para o campeonato e um para a Taça, a U.S. Open Cup, pelo que o New England Revolution, que apenas sofrera uma derrota nos oito jogos disputados no seu estádio, esperava poder regressar às vitórias e começar a subir alguns lugares na tabela classificativa para se aproximar dos lugares que dão acesso aos play-offs.

Igualmente animador para a turma da casa era o facto de nos sete jogos anteriores entre estes dois conjuntos, a equipa da casa ganhara sempre. Além disso, para este jogo o Revolution já pode contar com o central Antonio Delamea, que falhou os dois últimos jogos por ter partido o nariz frente a Toronto. E o médio Diego Fagundez, pedra fulcral na temporada em curso, também tornou a ser opção depois de ter cumprido um jogo de castigo imposto pela liga.

O início da partida foi bastante prometedor, pois o Revolution ameaçou logo aos quatro minutos. Após excelente troca de bola, Lee Nguyen cruzou largo, encontrando Teal Bunbury solto, na esquina da área, na esquerda. Mas, o remate deste saiu demasiado fraco e o guardião Luis Robles não teve dificuldade em segurar a bola.

Aos 17 minutos, Gershon Koffie recuperou a bola à saída do seu meio-campo e entregou a Lee Nguyen, que arrancou decididamente em direção à baliza adversária e, como ninguém o confrontou, à entrada da área rematou forte, obrigando Robles a defesa apertada.

Esta boa entrada no jogo foi premiada aos 21 minutos, graças a um excelente trabalho individual de Diego Fagundez. Depois de receber a bola na linha de meio-campo, Fagundez arrancou em direção à área de New York, evitou dois adversários, fletiu para o centro do terreno e, no momento certo, alongou para Teal Bunbury. Este controlou com o primeiro toque e depois rematou fora do alcance de Robles, estreando-se assim finalmente a marcar pelo Revolution na temporada em curso.

Mas, os visitantes chegaram ao empate volvidos escassos dois minutos, quando Bradley Wright-Phillips recebeu um passe à entrada da área e atirou de primeira, sem hipóteses para Cody Cropper, levando a bola a entrar centímetros abaixo do poste. Um grande golo.

O certo é que Diego Fagundez estava mesmo em noite inspirada e aos 26 minutos, ultrapassou três adversários, entrou na área e rematou forte, correspondendo Luis Robles com excelente defesa, a desviar para o lado, onde surgiu Lee Nguyen, calmamente, a empurrar a bola para a baliza deserta e a colocar a sua equipa novamente em vantagem.

Até ao intervalo o Revolution criou mais suas situações de perigo, mas na primeira o remate do lateral esquerdo Andrew Farrell, que havia descido pelo seu corredor, foi anulado por boa defesa de Robles, e mesmo em cima do intervalo um canto cobrado por Lee Nguyen seguiu até ao segundo poste, onde surgiu Benjamin Angoua a cabecear ao lado.

Pouco antes, New York também estivera esteve muito perto do empate. Sean Davis colocou em Alex Muyl, à entrada da pequena área, mas o remate saiu demasiado alto.

Portanto, quando as duas equipas foram para o descanso a vantagem, justa, do Revolution deixava bastante animados os adeptos locais.

Grande penalidade muda tudo

O Revolution até entrou melhor no segundo tempo, conquistando três pontapés de canto nos primeiros quatro minutos, mas gradualmente foi perdendo algum fulgor e acabou por ser penalizado aos 55 minutos. Sean Davis recebeu a bola no flanco direito, fletiu para o centro do terreno e foi derrubado por Gershon Koffie, já dentro da área. Daniel Royer transformou a grande penalidade no golo do empate.

Este acabaria por ser o lance crucial da partida.

“Penso que sim, não penso que tenha sido uma decisão errada, penso que foi uma tentativa de desarme tola,” disse o técnico Jay Heaps após o final da partida.

Com a passagem do tempo, o Revolution regressou ao jogo e conseguiu criar várias situações de perigo. Aos 67 minutos, o cruzamento de Kei Kamara encontrou Scott Cadwell solto no coração da área, mas o remate saiu demasiado alto.

O golo tornou a estar à vista aos 78 minutos, em mais uma excelente descida, com o passe de Kei Kamara a encontrar Bunbury solto na direita, mas Robles conseguiu desviar.

O mesmo Teal Bunbury ameaçou novamente aos 89 minutos, quando um passe em profundidade permitiu que surgisse solto na área, mas Robles leu muito bem a jogada e conseguiu desviar o remate.

E como quem não marca, sofre, o Revolution consentiu o golo da derrota aos 90 minutos, quando Gonzalo Veron surgiu solto na direita a corresponder ao passe de Filipe e rematou rasteiro e colocado, de nada valendo a tentativa de Cody Cropper, que se adiantara para tentar encurtar o ângulo.

Uma questão de detalhes

É um chavão antigo dizer que os jogos se decidem nos detalhes, mas foi precisamente isso que o técnico Jay Heaps indicou na conferência de imprensa realizada imediatamente após o final da partida.

“Temos que ser melhores nos momentos importantes, oferecemos um golo no fim do jogo, oferecemos um golo numa tentativa de desarme tola, sofremos um golo dois minutos depois de termos marcado, são momentos do jogo. Resume-se tudo a estar no momento e a fazer jogadas nos momentos importantes,” disse Heaps.

“O Scott Caldwell teve uma oportunidade, o Teal (Bunbury) teve duas oportunidades e penso que nós tivemos mais oportunidades descaradas do que eles. Por isso se nós tivéssemos sido um pouco melhores nesse aspeto, teríamos conseguido um resultado diferente. Nos momentos em que precisávamos se ser bons, não fomos e nos momentos em que eles precisaram de ser bons, eles foram.”

Não obstante os regressos de Antonio Delamea e Diego Fagundez, o Revolution tornou a estar desfalcado, pois Juan Agudelo e Kelyn Rowe estão com a seleção dos Estados Unidos, que inicia no sábado a sua participação na Copa de Ouro, Je-Vaughn Watson vai representar a Jamaica na mesma prova e Xavier Kouassi continua a recuperar de lesão. Os jornalistas quiseram saber se a quebra na segunda parte terá sido devido a estas ausências.

“Não há desculpas, nós sabíamos que eles não iam estar presentes,” começou por dizer Heaps. “Não termos o (Xavier) Kouassi também nos prejudicou pois a sua personalidade traz muita coisa ao grupo de trabalho, o Je-Vaughn (Watson) também foi uma ausência muito importante, jogadores importantes.

“Mas, tivemos oportunidades suficientes, mas penso que temos de ser melhores, não é uma questão de poderíamos ou deveríamos ter sido melhores, temos de ser. Se quisermos jogar e competir nesta liga, temos que fazer melhor nos tais momentos importantes de que falei.”

O jovem Diego Fagundez, o jogador mais inspirado na noite de quarta-feira, também lamentou a falta de eficácia e a forma como a equipa atuou na segunda parte.

“Da maneira que estávamos a jogar na primeira, qualquer coisa mudou na segunda parte, não foi a mesma equipa que esteve em campo na primeira parte,” disse Fagundez. “Temos de fazer melhor, continuamos a dizer que temos de fazer melhor, mas ainda não mostrámos isso dentro do campo.

“Estávamos a jogar de forma diferente e quando temos uma equipa que mantemos fechada na área deles e a criar oportunidades, temos que converter uma delas.

“Não conseguimos marcar o terceiro, e se tivéssemos conseguido o terceiro (golo), o jogo teria ficado mais aberto e teria sido um jogo diferente. Neste momento temos é que pensar no que poderemos fazer para melhorar e esperar que na quinta-feira quando tornarmos a jogar contra eles consigamos ser nós a dar o soco na boca.”

Paragem deve servir para reflexão

O Revolution vai ter duas semanas de folga para o campeonato, mas torna a jogar no dia 13, curiosamente frente a esta mesma equipa, mas em encontro referente à U.S. Open Cup. Jay Heaps espera que os seus jogadores aproveitem a folga para refletir sobre as últimas exibições.

“Espero que façam auto reflexão e olhem para o espelho porque vamos ter uns dias de folga e depois regressamos para defrontar a mesma equipa, e vamos ter alguns jogos muito importantes em casa, a margem de manobra passa a ser zero,” disse Heaps.

“Temos todos que olhar no espelho e descortinar o que é que queremos para nós próprios, para a equipa,” acrescentou o avançado Teal Bunbury. Nesta equipa somos todos muito competitivos, vejo isso todos os dias nos treinos, temos que levar isso para os jogos. Resume-se a querer ganhar, a fazer tudo o que for necessário para ganhar, não é preciso ser o futebol mais bonito, mas temos que encontrar as vitórias.”

A derrota mantem o Revolution no décimo posto na tabela classificativa, mas ninguém quer atirar a toalha ao chão.

“Temos que continuar a estar unidos, não podemos baixar a cabeça, presentemente é frustrante mas temos que olhar para o futuro,” concluiu Teal Bunbury.

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