Goal Celebration vs. Columbus Crew SC
David Silverman

No melhor jogo da temporada, Revolution recupera e vence Columbus, 2-1

A equipa ficou em desvantagem aos 20 minutos de jogo, mas dois excelentes golos de Diego Fagundez no curto espaço de 10 minutos ainda na primeira parte, e a segurança defensiva nos últimos 45 minutos permitiram que o New England Revolution finalmente levasse de vencida o Columbus Crew, 2-1, em jogo disputado no domingo à tarde, no Gillette Stadium.

O panorama esteve muito complicado para o Revolution, pois pouco antes do jogo soube-se que o médio Scott Caldwell apanhara um vírus no estômago que o deixou debilitado fisicamente e por conseguinte obrigou o técnico Jay Heaps a mudar o seu onze inicial à última da hora.

“Infelizmente, o Scottie [Caldwell] apanhou um vírus e fomos obrigados a fazer uma substituição,” explicou Heaps em conferência de imprensa realizada após o final da partida. “O Scottie faz coisas importantes para nós em termos defensivos e infelizmente fomos obrigados a fazer aquela mudança. Fizemos entrar o Femi [Hollinger-Janzen] e tivemos que trocar duas pedras para que desse certo. Infelizmente não tivemos tempo suficiente para corrigir tudo.”

Como Juan Agudelo ainda não está recuperado da lesão ao ombro sofrida durante o treino do dia 9, Jay Heaps optou por fazer entrar Femi Hollinger-Janzen para jogar ao lado de Kei Kamara na frente do ataque, recuando Lee Nugyen para o topo do losango do meio campo, no apoio aos dois avançados.

A turma visitante entrou melhor no jogo e chegou mesmo ao golo no quinto minuto, mas Ola Kamara estava em posição irregular quando Federico Higuain fez o primeiro remate e portanto a recarga não contou.

O Revolution também esteve muito perto do golo aos 10 minutos, numa excelente jogada. Femi Hollinger-Janzen recebeu um corte de bola à saída da sua grande área e lateralizou para Chris Tierney, que de imediato alongou a rasgar para Diego Fagundez, no flanco esquerdo. Este fletiu para o centro do terreno e encontrou espaço para um remate forte e colocado, que o guardião Zach Steffen conseguiu desviar.

Mas, Columbus concretizou a sua superioridade aos 20 minutos. Um passe longo de Will Trapp levou a bola por cima do central Antonio Delamea e ficou à frente de Ola Kamara, que atirou de primeira, um petardo que não deu hipóteses ao guardião Cody Cropper.

“No início do jogo estávamos um pouco desequilibrados,” reconheceu Heaps.

Golo de Columbus dita mudança tática

Na realidade, nesta fase do jogo a situação parecia muito complicada para o Revolution porque Columbus continuava com a pressão alta, complicando assim sobremaneira a saída do Revolution para o ataque, e mantinha também a superioridade na posse de bola, com passes alternadamente curtos e longos.

“Fiz uma mudança tática logo depois deles terem marcado o golo, para ficarmos em 4-3-2-1,” indicou Heaps ao explicar como conseguira mudar temporariamente o cariz da partida.

“Precisávamos de um pouco mais de energia e a rapaziada aumentou o ritmo. Fiquei bastante orgulhoso porque ficámos em desvantagem e não me estava a sentir muito bem.”

Mas a equipa respondeu positivamente à mudança e a partir daí veio ao de cima a qualidade de algumas individualidades no plantel do Revolution, que chegaria ao empate, também num excelente golo, aos 24 minutos. Kelyn Rowe roubou o esférico à saída do meio campo adversário e alongou para Lee Nguyen. Este deu um passo e colocou em Kei Kamara, na direita. Quando o guardião de Columbus esperava pelo remate, Kamara surpreendeu e preferiu o cruzamento rasteiro, surgindo Diego Fagundez junto ao segundo poste a empurrar para a baliza deserta.

“Nem me lembro muito bem como foi [o golo]” confessou Fagundez. “Foi um bom passe vindo de trás e o Kei [Kamara] teve uma excelente desmarcação e fez um excelente passe a deslizar a bola na minha direção, eu só tive que empurrar. Foi fácil, tal como o da semana passada. Fiquei muito satisfeito.” 

E Diego Fagundez bisou aos 34 minutos, num grande trabalho individual. Rowe alongou para Fagundez, na esquerda. Com o primeiro toque levantou a bola por cima de um adversário e na direção de Kei Kamara, que devolveu de imediato. Ao receber a bola, Fagundez arrancou velozmente em direção à baliza adversária, com três adversários em perseguição, e quando Zack Steffen saiu a tentar encurtar o ângulo, o jovem médio dos Revs muito calmamente rematou em jeito, levando a bola a entrar junto ao segundo poste.

“Foi uma boa jogada coletiva, eu estava a tentar fazer a tabelinha com o Kei [Kamara],” disse Fagundez. “Quando a bola teve um ressalto, tentei arrancar sozinho e quando fiquei frente ao guarda-redes, é o que eu faço melhor, procurei colocar a bola e marquei.”

Gershon Koffie estreou-se na segunda parte

Ao intervalo, para tentar equilibrar a luta a meio campo, o técnico Jay Heaps fez entrar Gershon Koffie, que fez assim a sua estreia na temporada em curso. Recorde-se que Koffie representou o Revolution em 2016, mas optou por se mudar para os suecos do Hammarby IF, da Suécia, no final da época. Como não conseguiu conquistar a titularidade na Suécia, na semana passada acabou por ser cedido, a título de empréstimo, ao seu antigo clube.

E o certo é que Koffie cumpriu plenamente as instruções do seu treinador, pois Jay Heaps considerou que realizou uma exibição “sólida. Ele e o [Xavier] Kouassi foram sólidos.

“Deu para ver que era assim que eles [Columbus] queriam jogar, queriam criar vantagens numéricas com o [Justin] Meram, queriam criar vantagens numéricas com o [Federico [Higuain]”, acrescentou Heaps. “Nós sentimos que, se com eles os dois, conseguíssemos jogar à zona, e homem-a-homem quando necessário, poderíamos segurar [o jogo]. Para mim, a segunda parte foi muitíssimo melhor defensivamente. Não me lembro deles terem tido importunidades, à exceção de alguns erros defensivos que cometemos.”

Portanto, quando Koffie entrou saiu Hollinger-Janzen, o que levou Lee Nugyen a colocar-se ao lado de Kei Kamara no ataque.

Columbus tornou a surgir mais perigoso para a segunda parte e esteve muito perto do golo aos 51 minutos. Meram desceu pela esquerda e cruzou rasteiro, Cropper lançou-se e não conseguiu desviar mas, felizmente para os Revs, Ola Kamara também chegou ligeiramente atrasado quando tinha a baliza completamente à sua mercê.

E os visitantes estiveram ainda mais perto do golo aos 60 minutos, quando Hector Jiménez foi à linha, na direita, e cruzou atrasado, surgindo Justin Meram a cabecear forte, mas contra a trave.

O técnico visitante Gregg Berhalter tentou mexer no jogo e esgotou as substituições aos 74 minutos. Por isso, Columbus continuou a manter a posse de bola, a trocar e a esconder o esférico, sob a batuta de Meram e Higuain. A pressão ofensiva foi-se intensificando e os cruzamentos começaram a surgir com mais frequência junto à baliza defendida por Cody Cropper.

E aos 78 minutos uma tentativa de alívio de Andrew Farrell foi embater em Adam Jahn, que caminhou isolado para a baliza e rematou forte, mas Cody Cropper evitou o golo com mais uma defesa aparatosa.

A situação poderia ter ficado ainda mais complicada para os Revs, aos 90+2’, quando Andrew Farrell entrou de pé em riste sobre Jonathan Mensah e recebeu ordem de expulsão, deixando a equipa em desvantagem numérica para os segundos finais. Mas do livre nada surgiu e pouco depois o árbitro Alan Kelly deu a partida por terminada. 

Revolution permanece invicto em casa

Com a vitória, o Revolution aumentou para nova a série consecutiva de jogos em casa sem conhecer o amargo sabor da derrota. Na temporada em curso, são quatro vitórias e dois pontos, ou seja 14 dos 16 pontos foram conquistados no Gillette Stadium.

O homem do jogo foi, obviamente, Diego Fagundez, que não conseguiu nenhum tento nos primeiros 10 jogos, mas marcou por três vezes nos dois últimos encontros. O técnico Jay Heaps não consegue explicar a diferença.

Para Heaps, “nada [mudou]” em relação à forma de atuar do jovem médio.

“Obviamente ele agora está a marcar golos, mas não penso que esteja a fazer nada diferente,” disse Heaps. “É um criador, também pode marcar golos, está confiante na finalização. Ele tem estado sempre no sítio certo, mas trabalha imenso nas suas movimentações e tem grande velocidade nos arranques, até pensei que ia conseguir um terceiro naquele passe do Kei [Kamara]. O Diego está confiante e perigoso, e isso é importante.”

Diego Fagundez também não conseguiu encontrar uma explicação para a chegada da sua veia goleadora.

“É uma daquelas coisas doidas,” disse Fagundez. “Não sei bem porquê, mas o primeiro (golo) é sempre o mais difícil para mim. Mas depois de chegar o primeiro, a minha confiança sobe e o segundo e o terceiro vão chegar, por isso agora tenho que continuar a jogar como tenho estado a fazer, nada muda, tenho que tentar a ajudar a equipa no máximo possível. Quando tiver oportunidades, tenho que as converter.”

Não obstante os golos, Fagundez reconhece que o mais importante foram os três pontos.

“Eles [Columbus] tiraram-nos pontos quando lá fomos [há duas semanas],” disse Fagundez. “Agora vieram cá, este é o nosso forte e não recuamos perante ninguém. Fomos para cima deles, ficámos em desvantagem, mas recuperámos e foi notório que a nossa equipa deu luta e foi recompensada no fim.”

O Revolution tem agora dois jogos seguidos fora de casa, onde ainda não conseguiu ganhar. No sábado joga frente ao Red Bulls e na quarta-feira defronta o New York City FC, antes de regressar a casa a 3 de junho, frente a Toronto.

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