Lee Nguyen team celebration vs. Houston Dynamo
Brian Fluharty-USA TODAY Sports

Segunda parte inspirada leva o Revs a nova vitória em casa, 2-0 sobre o Dynamo

A jogar contra o forte vento que se fez sentir durante todo o jogo, o New England Revolution sentiu grandes dificuldades em penetrar na zona defensiva do Houston Dynamo nos primeiros 45 minutos. Mas, as alterações efetuadas depois do intervalo mudaram por completo o cariz da partida e os Revs tornaram a vencer no Gillette Stadium, no domingo à tarde, graças a golos de Kei Kamara e Juan Agudelo.

O onze inicial trouxe surpresas, pois o técnico Jay Heaps decidiu manter o jovem Joshua Smith a titular no centro da defesa, ao lado de Antonio Delamea, e optou por fazer recuar o médio Kelyn Rowe para lateral esquerdo, permitindo assim o regresso de Scott Caldwell à linha média.

Talvez por causa do vento, o certo é que a primeira parte não foi de grande qualidade técnica, com o Revolution a ter mais posse de bola na parte inicial da partida, mas sem criar situações de perigo.

O que também ficou bem evidente foi que Houston não estava para brincadeiras, pois pressionava de imediato, e de forma agressiva, e em todo o campo, quem tivesse a bola em seu poder. Como consequência, aos 15 minutos, Ricardo Clark viu o primeiro amarelo da partida depois de entrada violenta sobre Lee Nguyen.

Mas, o cariz da partida manteve-se: muita luta, todas as bolas disputadas de forma viril. E aos 27 minutos foi a vez de Boniek Garcia atingir Ngyen, mas desta feita o árbitro Silviu Petruscu preferiu manter o cartão no bolso.

Houston, quando tinha a bola em seu poder, tentou jogar sempre de forma direta, normalmente ao primeiro toque, pelo que as jogadas de perigo não existiram.

A grande oportunidade da primeira surgiu já no período de compensação. Antonio Delamea intercetou um passe na linha de meio campo e lançou longo para o coração da área, onde surgiu Juan Agudelo a desmarcar-se de forma primorosa e a cabecear por cima do guardião Tyler Deric, que falhou o tempo de saída. Mas, a bola saiu a rasar o poste.

“Primeiro do que tudo o vento foi muito difícil na primeira parte, por isso estivemos um pouco com falta de sincronia, não estávamos a movimentar a bola, o ritmo de jogo não foi o melhor,” reconheceu o treinador Jay Heaps.

Mudanças decididas ao intervalo mudaram o jogo

O descanso fez muito bem ao Revolution, pois no regresso a turma da casa surgiu mais decidida em testar o guarda-redes visitante. Primeiro foi o remate de longe de Diego Fagundez a sair perto do poste, seguindo-se dois tiros de Lee Nguyen que também passaram perto do alvo.

“Durante o intervalo a conversa foi para aumentar o ritmo de jogo pois íamos ter o vento pelas costas, sabíamos das dificuldades de tentar levar a bola para a frente [com o vento na cara], quisemos aumentar o ritmo de jogo,” explicou Heaps. “E a ideia era ter o Kei [Kamara] e o Juan [Agudelo] mais subidos no campo e colocar a bola mais rapidamente na frente.”

“O treinador [Jay Heaps] disse-nos que esta é a nossa casa,” acrescentou Joshua Smith. “Nós estivemos por cima deles. Fizemos um bom trabalho na primeira parte, faltou o passe final, mas nós sabíamos que este era um jogo importante para conseguirmos pontuar e subir na classificação.”

“Sabíamos que tínhamos de ter uma entrada forte,” confirmou Kelyn Rowe. “Eles são uma boa equipa, nós estamos a jogar em casa e tínhamos que ter a certeza de que tomávamos uma posição para que as coisas corressem à nossa feição nos primeiros 15, 20 minutos e fizemos um bom trabalho nesse aspeto.”

Essa mudança de atitude e de abordagem ao jogo tornou-se evidente desde os primeiros segundos da segunda parte. Os três remates de longe foram o primeiro aviso e obrigaram Houston a recuar um pouco mais no terreno, mas além disso o Revolution passou a jogar com mais rapidez e a trocar melhor a bola, o que pareceu enervar um pouco os visitantes.

O prémio para esta maior audácia surgiu aos 53 minutos, quando um excelente passe de Lee Nguyen permitiu que Kei Kamara ficasse isolado. Tyler Deric saiu da baliza e conseguiu desviar o primeiro remate, mas não conseguiu levantar-se a tempo de evitar a recarga de Kamara.

O segundo golo esteve perto de surgir aos 59 minutos quando Kei Kamara conseguiu surgir nas costas de Jalil Anibaba para lhe roubar a bola e depois atirou fortíssimo, já em queda, levando o esférico a sair rente ao segundo poste.

Mas, no minuto seguinte foi a vez de Houston desperdiçar uma excelente oportunidade quando Erik “Cubo” Torres, atual melhor marcador da MLS, com seis golos, entrou isolado na área. Mas, o avançado mexicano adiantou demasiado o esférico, permitindo que Cody Cropper se lançasse ao solo e roubasse a bola.

E Cropper tornou a estar em evidência aos 63 minutos, pois Ricardo Clark apareceu desmarcado na área, a rematar forte, mas o guardião dos Revs lançou-se para a sua direita e desviou a bola pela linha final.

Para tentar mudar um pouco o jogo, aos 68 minutos Jay Heaps fez entrar Je-Vaughn Watson para o lugar de Diego Fagundez. Watson foi ocupar o lugar de lateral esquerdo, Kelyn Rowe adiantou-se para a sua mais natural posição de médio e a equipa ficou mais bem arrumada taticamente.

Volvidos dois minutos Watson esteve perto do golo quando, na sequência de canto cobrado por Lee Nguyen, surgiu à saída da pequena área a cabecear, mas ao lado.

E o segundo golo surgiu mesmo, aos 72 minutos. O cruzamento de Kelyn Rowe foi desviado por Deric, mas sobrou para Juan Agudelo que não teve dificuldade em empurrar a bola para a baliza deserta.

“Foi uma sensação incrível, concentrei-me no primeiro toque, assim que controlei a bola coloquei-a no alvo,” disse Agudelo.

Até final, Houston procurou mas não teve capacidade para conseguir chegar à baliza do Revolution, pois a defesa da casa estava em tarde de inspiração, pelo que o resultado não sofreu mais nenhuma alteração.

As explicações de Jay Heaps

Na sua conferência pós-jogo, o treinador Jay Heaps teve oportunidade de explicar as decisões tomadas sobre o onze inicial.

A colocação de Kelyn Rowe a lateral esquerdo foi tomada porque “durante a semana fizemos imenso trabalho na forma como Houston joga, eles deixam três jogadores adiantados e permitem que se contrua jogo de trás. Eu pensei que o Kelyn ia ter muitos toques na bola e isso aconteceu na segunda parte.

“Ele acrescenta muito em termos físicos e ganha muitas das batalhas individuais. Nós sabíamos que ia haver muitos duelos homem-a-homem, e o Kelyn é um dos melhores nisso, não recebe o crédito suficiente.”

Embora normalmente jogue na linha média, Rowe não se mostrou muito preocupado por ter entrado para o sector mais recuado.

“É uma mentalidade diferente, porque [quando jogo a defesa] não tenho quatro colegas atrás de mim, apenas um,” disse Rowe. “Quando se joga a defesa é preciso cobrir muito mais do que quando se está na linha média, não se pode ir para a frente à toa porque senão aparece-nos uma bola nas costas. Mas tive colegas ao meu lado a fazer-me a cobertura e trabalhámos nisso durante a semana, portanto estava mais confortável.”

Se é para continuar ou não, não importa.

“Não depende de mim [jogar a defesa],” confessou Rowe, para depois acrescentar que “desde que esteja dentro do campo estou contente, se poder jogar no ataque, se poder na linha média, jogar a defesa não faz diferença, desde que esteja dentro do campo isso significa que ainda tenha a minha carreira.”

Sobre a titularidade de Joshua Smith, Jay Heaps explicou que na sua opinião o jovem central “teve uma excelente estreia [na semana passada] e neste jogo era crítico que houvesse boa comunicação na defesa porque ia haver movimentação constante para fazer a cobertura aos três homens deles mais adiantados, por isso se o [Andrew] Farrell fosse à bola, o Tony [Delamea] teria de cobrir, por isso não é apenas ir à bola, é preciso haver comunicação e eu penso que eles fizeram um excelente trabalho.”

“Penso que a comunicação foi um ponto decisivo hoje, pode-se notar na minha voz [estava rouco],” acrescentou Smith. “O Cody [Cropper] fez um bom trabalho a comunicar connosco, tiro o chapéu uma vez mais ao Tony [Delamea], fez uma grande exibição, penso que toda a defesa fez um excelente trabalho.”

Sobre a estreia no Gillette Stadium, Joshua Smith considerou que teve “um maior significado do que ter jogado fora de casa. Penso que se conseguem ouvir os nossos fãs durante os 90 minutos, foi ótimo, eles empurraram-nos, sem dúvida.”

A subida de forma de Xavier Kouassi

Quem também esteve em grande plano foi o médio Xavier Kouassi. Depois de ter falhado a última temporada devido a uma grave lesão no joelho, tem vindo gradualmente a recuperar a sua melhor forma física. Neste jogo, mostrou que pode vir a ser pedra decisiva no xadrez da turma de Foxboro.

“Eu acho que ele não deu um único passo errado durante o jogo,” disse Jay Heaps. “Ele foi excelente em termos defensivos, a destruir jogadas, com aquela atitude de arregaçar as mangas, ele está sempre nos desarmes, é excelente com a bola nos pés.”

“Ele tem sido bastante sólido, raramente faz passes errados, não se furta aos desarmes e ganha muitas bolas,” acrescentou Kelyn Rowe. “Dá para se notar a visão de jogo dele, quer seja a ler uma jogada defensivamente ou a ultrapassar um adversário quando ataca para manter a posse de bola e fazer um bom passe. Tem vindo a subir de forma e estamos satisfeitos pelo seu regresso.”

Fator casa

Um dos grandes objetivos para esta temporada é transformar o Gillette Stadium num estádio muito difícil para quem cá se deslocar. E até agora o plano tem dado resultado: dois jogos, duas vitórias, 7-2 em golos.

“Não basta dizer isso, é preciso demonstrar,” disse Jay Heaps. “Este é tipo de situação em que interinamente queremos trabalhar e ter a certeza que a nossa casa é um sítio difícil para as outras equipas jogarem, mas não basta falar sobre isso, é preciso demonstrá-lo dentro do campo.”

Para a semana, no sábado, o New England Revolution, torna a jogar fora, em Chicago, frente ao Fire, antes de regressar a casa para mais jogos, contra San Jose e D.C. United, pelo que a possibilidade de continuar a pontuar e subir ainda mais na tabela classificativa é um alvo alcançável.

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