Kei Kamara vs. Orlando City SC
David Silverman

Revolution subiu na classificação com vitória sobre Orlando City, 4-0

Pela primeira vez na sua carreira Kei Kamara conseguiu três golos num jogo, pelo que o New England Revolution não sentiu grandes dificuldades em derrotar o Orlando City S.C., 4-0, em jogo disputado no sábado à noite, no Gillette Stadium, perante 17.865 espectadores.

A vitória permitiu aos Revs subir dois lugares na tabela classificativa para preservar as esperanças de ainda poder conseguir um lugar nos play-offs.

As duas equipas, separadas por apenas dois pontos, sabiam de antemão que quem perdesse este jogo ficava praticamente afastado da possibilidade de conseguir o apuramento para os play-offs. Por isso o jogo iniciou-se a um bom ritmo, pois ambas surgiram a tentar jogar ao ataque.

Revolution começa a controlar o jogo

Mas, volvidos os primeiros 10 minutos, o Revolution começou a tomar conta do jogo e a instalar-se no meio campo visitante.

A primeira situação de perigo surgiu aos 13 minutos, numa excelente jogada. A bola chegou a Lee Nguyen na esquerda, junto à linha lateral. Este correu em direção à baliza e depois cruzou rasteiro. Kei Kamara não conseguiu chegar ao passe, mas a bola sobrou para Teal Bunbury, descaído sobre a direita, que rematou forte. O guardião Joe Bendik lançou-se ao solo e desviou.

Bendik tornou a brilhar três minutos depois, desta feita ao desviar um tiro de Kamara que parecia destinado ao ângulo direito.

E aos 18 minutos Bunbury ganhou um ressalto à saída da área e tentou a sua sorte, de longe, levando a bola a raspar na parte exterior do poste e a sair.

Finalmente a equipa da casa recebeu o justo prémio, aos 26 minutos. Scott Caldwell interceptou um passe na intermediária adversária e alongou para Lee Nguyen. Este devolveu de imediato, Caldwell arrancou em direção à linha final e cruzou rasteiro, surgindo Kei Kamara a entrar fulgurantemente e a antecipar-se a Bendik para fazer o golo.

Foi o centésimo golo de Kamara desde a sua chegada à MLS, em 2006.

O guardião Cody Cropper só foi chamado a intervir aos 30 minutos, quando o antigo internacional brasileiro Kaká cobrou um livre, junto à esquina da área, na esquerda. O remate cruzado levava veneno, mas Cropper estirou-se bem e conseguiu desviar pela linha final.

Mas, dois minutos depois, Cropper foi realmente posto à prova e evitou o que parecia ser um golo certo. Um alívio defeituoso colocou a bola à frente de Dominic Dwyer, à saída da pequena área, mas Cropper conseguiu desviar o remate, que levava fogo.

O segundo golo pareceu ter surgido aos 43 minutos. Lee Nguyen começou o lance com uma excelente simulação que permitiu que o passe longo de Scott Caldwell chegasse a Bunbury. Este segurou o esférico e no momento certo soltou para Nguyen, que, de ângulo já apertado, rematou fora do alcance de Bendik.

Mas, o lance foi revisto pelo vídeo-árbitro [VAR], que determinou que Bunbury estava em posição irregular na altura do passe inicial, pelo que o golo foi anulado.

A decisão não afetou o Revolution.

“Eu sou um fã do VAR, tenho dito que prefiro perder devido a uma decisão acertada do que ganhar devido a uma decisão errada, mas é um soco no estômago,” disse o treinador Jay Heaps. “São momentos difíceis, é um elemento adicional em termos de lidar com os altos e baixos do jogo, e existem muitos em todos os jogos.

“Tivemos uma excelente conversa durante o intervalo, a rapaziada estava bastante focada, por isso quando entrámos para a segunda parte tive um bom pressentimento de que iríamos segurar o jogo.”

Revolution regressa motivado do descanso

E o certo é que o Revolution esteve muito perto de segurar o jogo logo nos segundos iniciais da segunda parte. Primeiro foi um remate de Teal Bunbury que passou muito perto do alvo. E logo a seguir, Bunbury conseguiu ganhar um ressalto à saída da área, fletiu para a esquerda e rematou rasteiro, obrigando Bendik a uma defesa apertada. A bola sobrou depois para Juan Agudelo, que rematou de primeira, mas à figura do guardião visitante.

O jogo ficou mais dividido nesta fase inicial do segundo tempo porque Orlando City pareceu estar confiante já que o Revolution não tinha conseguido transformar em golos o domínio que havia exercido durante a primeira parte.

Por isso, aos 64 minutos o técnico Jason Kreis fez a primeira substituição, fazendo entrar Will Johnson, um médio com características mais ofensivas, para o lugar de Antonio Nocerino, que não tem nem golos, nem assistências nos 23 jogos em que participou este ano.

Jay Heaps respondeu sete minutos mais tarde. Juan Agudelo, que tem sentido dificuldades a jogar nas faixas e perdeu a sua veia goleadora nos jogos mais recentes, cedeu o lugar a Xavier Kouassi, um médio possante.

Para Jay Heaps, esta substituição matou o jogo.

Depois de revelar que Kouassi esteve debaixo de consideração para jogar de início, Heaps acrescentou que “quando ele entrou no jogo, trouxe imenso, mudámos o esquema e ele fechou o jogo. Que diferença quando ele entra.”

Escassos quatro depois da entrada de Kouassi, o Revolution chegou ao segundo golo e desta feita o VAR confirmou a validade do tento. Foi numa jogada de insistência, em que Kei Kamara ganhou a luta contra dois adversários e lateralizou para Lee Nguyen, que tentou ultrapassar um adversário, mas não o conseguiu. Porém a bola ressaltou para Kei Kamara, que estava solto dentro da área e não perdoou.

A situação ficou mais facilitada para o Revolution, aos 80 minutos, quando José Aja derrubou Kamara pelas costas, o que lhe valeu o segundo amarelo da noite e deixou a equipa da casa em vantagem numérica para os últimos 10 minutos.

E o Revolution tirou proveito da situação, obtendo mais dois golos na ponta final.

Kei Kamara encerrou a sua conta, aos 89 minutos, quando ganhou um ressalto duma bola que estava dividida entre um defesa visitante e Lee Nguyen, e calmamente colocou a bola fora do alcance de Bendik.

No minuto seguinte, Kamara cedeu o lugar ao internacional húngaro Krisztian Németh, que assim fez a sua estreia pelo Revolution.

“É uma honra tremenda. Não vou mentir, já jogo há muito tempo e estar nesta posição hoje, conseguir o hat-trick, marcar aqueles golos é realmente especial, é uma honra,” disse o emocionado Kamara durante a conferência de imprensa pós-jogo. “É uma vitória importante para a equipa, mas tenho que dizer que obviamente é um daqueles dias que nunca mais vou esquecer.”

Németh precisou de menos de um minuto para deixar a sua marca. Após receber um passe de Lee Nguyen, o avançado húngaro arrancou pelo flanco esquerdo e no momento certo cruzou rasteiro, surgindo Teal Bunbury junto ao segundo poste a empurrar para o fundo da baliza e fechar a contagem.

O impacto de Lee Nguyen

Foi a quarta assistência de Nguyen neste jogo, o que lhe permitiu alcançar Victor Vazquez do Toronto FC no topo da lista dos líderes desta tabela, com 14 assistências. Desde o início da temporada de 2015, Nguyen já registou 34 assistências, terceira melhor marca na MLS.

Depois de falhar os dois últimos jogos, Nguyen regressou à equipa e deixou a sua marca no jogo, algo a que todos estão habituados.

“Ele [Nguyen] é sempre uma pedra importante para nós,” disse Jay Heaps. “É de lamentar quando um jogador se lesiona, queremos que outros cumpram o lugar, mas o Lee obviamente é uma peça de grande qualidade para nós sempre que está em campo, e hoje teve quatro assistências. Devido à forma como se apresentou nos treinos durante a semana eu sabia que ele ia ter uma grande noite.”

Jay Heaps mostrou-se igualmente agradado da resposta da sua equipa, que sofrera duas derrotas consecutivas fora de casa e sabia que só os três pontos neste jogo permitiriam continuar a manter esperanças de poder ainda conseguir um lugar nos play-offs.

Quando lhe perguntaram de que mais gostara neste jogo, Heaps indicou que foi “da maneira como lidámos com a situação. Tivemos uma boa semana de treinos, uma boa semana depois de uma semana dececionante fora de casa, regressámos e tivemos um bom diálogo. Os jogadores tiveram uma boa conversa e hoje deram um passo em frente. Esta foi uma boa vitória, uma vitória importante, uma vitória de que precisávamos.”

O triunfo permitiu que o Revolution subisse dois lugares, ultrapassando Orlando City e o Philadelphia Union.

Na realidade, Orlando City teve um começo sensacional no campeonato, com seis vitórias nos primeiros sete jogos, o que colocou a equipa no topo da tabela classificativa. Mas, desde fins de Abril os Lions registaram apenas duas vitórias e com esta derrota caíram para a décima posição numa altura em que lhes falta apenas disputar mais sete jogos.

Além disso, o Revolution aproximou-se do Montreal Impact, que foi batido pelo Chicago Fire, 1-0. E Montreal vai ser o adversário de sábado.

“Já estamos a aguardar ansiosamente pela próxima semana,” disse o lateral Chris Tierney, capitão de equipa neste jogo. “Esta vitória não será realmente importante se nós não tratarmos da situação na próxima semana. Esta é a posição em que nos colocámos e reconhecemos que precisamos de ganhar estes jogos, especialmente contra as equipas na nossa conferência que estão a lutar, como nós, pela última vaga nos play-offs.”

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