Diego Fagundez vs. Impact | Oct 23

Revolution despediu-se dos seus adeptos com goleada sobre o Montreal Impact, 3-0

O Revolution sabia que seria quase impossível anular a desvantagem de 12 golos que tinha em relação ao Philadelphia Union na luta pelo sexto lugar, último que dá acesso aos play-offs na Major League Soccer. Mas, jogadores e equipa haviam prometido empenho máximo neste último jogo da temporada regular e cumpriram.

Assim, perante 39.587 espectadores, a segunda maior assistência da história da equipa em jogos da época regular, o Revolution jogou sempre virado para o ataque e venceu por 3-0, vitória que só não foi mais folgada porque a turma de Foxboro continua a ser a mais azarada da liga, pois acertou na madeira da baliza adversária por quatro vezes, todas elas com o guarda-redes Evan Bush já batido.

Com a necessidade de marcar muitos golos, o técnico Jay Heaps decidiu colocar o médio Kelyn Rowe a defesa esquerdo, deixando Chris Tierney no banco.

“O Chris [Tierney] tem estado lesionado,” explicou o treinador Jay Heaps. “Ele talvez tivesse podido jogar hoje, 30-40 minutos, mas a realidade é que precisávamos de jogar mais ao ataque, o Kelyn [Rowe] já jogou ali duas vezes este ano. Penso que ele faz um excelente trabalho e hoje foi um dos nossos melhores jogadores, quer defensiva, quer ofensivamente.”

E realmente Rowe passou os minutos iniciais em terrenos muito adiantados, dando por vezes a impressão de que os Revs jogavam apenas com 3 defesas.

As situações de perigo frente à baliza defendida por Evan Bush foram-se desenrolando com uma rapidez incrível, pois o ritmo de jogo imposto pelo Revolution quase nem deixou respirar a equipa adversária.

Logo aos três minutos Kei Kamara esteve perto do golo. O cruzamento, da esquerda, tabelou num defesa visitante e quase traiu Evan Bush, que, por instinto, levantou o braço e conseguiu impedir que a bola lhe passasse por cima e entrasse.

O primeiro golo aconteceu aos 13 minutos. Depois duma interceção a meio campo, a bola foi colocada em Diego Fagundez, que arrancou em direcção à baliza adversária, acabando por ser derrubado à entrada da área de Montreal. O mesmo Fagundez encarregou-se da marcação do livre e arrancou uma bomba que entrou junto ao segundo poste, sem hipóteses para Bush.

“Era entre mim e o Lee [Nguyen] e eu disse-lhe que se eu o marcasse ia fazer golo,” explicou Diego Fagundez. “Ele deu-me essa oportunidade e marquei [golo]. Tivemos um outro na segunda parte e eu não lho ia tirar. É uma daquelas situações que nós partilhamos em momentos do jogo e este foi um dos momentos que nós partilhámos.”

Animado pelo golo, o Revolution continuou a manter a pressão alta, impedindo assim que Montreal saísse do seu meio-campo com a bola dominada. Por conseguinte, as interceções à entrada do meio campo do Revolution foram uma constante do jogo.

Aos 17 minutos, um excelente passe de Lee Nguyen encontrou Juan Agudelo que, com o primeiro toque evitou um adversário e depois atirou forte, mas Bush estirou-se bem e desviou o remate.

No minuto seguinte, um excelente passe de Lee Nguyen encontrou Fagundez, mas o remate foi desviado pela linha final quando Fagundez estava cara a cara com Evan Bush.

Logo a seguir deu-se o primeiro encontro com a madeira da baliza adversária. Um ressalto sobrou para Gershon Koffie que atirou fortíssimo, ainda de fora da área, mas Bush conseguiu desviar. Porém a bola sobrou para Kei Kamara, que, à boca da baliza atirou forte, levando o esférico a embater com estrondo na trave e a ressaltar para dentro do campo.

Kamara tornou a acertar no poste passados 16 minutos. Desta feita foi depois de ganhar um ressalto junto à linha final, perto da bandeirola de canto. Arrancou em direcção à baliza e, de ângulo já apertado, rematou forte, levando a bola a embater no poste e a sair.

Montreal regressou com mais ânimo

O intervalo permitiu ao técnico visitante Mauro Biello proceder a algumas alterações que deram resultado nos minutos iniciais da segunda parte.

Assim, logo aos 48 minutos Montreal deu o primeiro aviso. Na sequência de um pontapé de canto, a bola foi aliviada até David Choiniere, que rematou forte e colocado, obrigando Cody Cropper, titular neste jogo devido à suspensão de Brad Knighton, a excelente defesa. Esticou-se todo para a sua esquerda e conseguiu desviar o remate.

E aos 56 minutos, um cruzamento de Donny Toya para o coração da área, permitiu um remate de primeira de Anthony Hamel-Jackson, mas Cropper lançou-se ao solo e, com a ponta dos dedos, conseguiu evitar o golo.

A partir daí só deu Revolution.

Aos 58 minutos um excelente passe de Fagundez desmarcou Juan Agudelo. Bush saiu da baliza e obrigou o avançado do Revolution, que o contornou, a perder ângulo para o remate. Junto à linha final, este atrasou para Lee Nguyen, mas Bush lançou-se ao solo e agarrou a bola, perante os protestos do jogador do Revolution, que pareceu ter sido derrubado.

Mas, o segundo golo surgiu no minuto seguinte. Scott Caldwell entregou a Juan Agudelo, que flectiu para o centro do terreno e depois atirou forte e colocado, sem hipóteses para Bush.

O 3-0 apareceu aos 71 minutos. Nguyen, na esquerda, entregou a Fagundez no centro e este com toque subtil colocou à frente de Kei Kamara, que atirou forte e colocado, levando a bola a entrar junto ao segundo poste, fora do alcance de Evan Bush.

Até final o Revolution ainda teve tempo para levar a bola à madeira adversária em mais duas ocasiões. Aos 80 minutos o cruzamento de Fagundez encontrou Scott Caldwell, que cabeceou ao poste e três minutos depois, foi a vez de Agudelo também rematar contra o poste!

Jay Heaps – “Acabámos fortes”

Na conferência de imprensa pós-jogo o técnico Jay Heaps lamentou não ter conseguido o apuramento para os play-offs.

“Acabámos fortes este ano, ganhando cinco dos [últimos] sete [jogos], mas cavámos um fosso demasiado fundo no início da época, não conseguimos pontos quando o poderíamos ter feito,” disse Heaps.

“Foi uma grande noite para os nossos adeptos, e o contacto [que eles tiveram] com os nossos jogadores. Ficámos entusiasmados porque estivemos focados e o jogo desta noite poderia ter proporcionado uma escorregadela pois tivemos uma [derrota] tão devastadora na semana passada. Mas, estivemos sempre positivos.”

Resposta à derrota da semana passada

Foram as questões mais discutida pelos jornalistas, se a derrota da semana passada em Chicago e a exibição descolorida da equipa não teriam sido motivação para este jogo, e se o fato de não terem pressão sobre si terá levado a esta exibição convincente.

“A rapaziada quis mostrar que este ano foi uma desilusão termos acabado onde acabámos, esperávamos mais”, disse Heaps. “Precisamos de ser melhores em todos os aspetos. Infelizmente, em relação ao jogo da semana passada pôr [todas as culpas] só nesse jogo é um pouco severo demais…hoje eles quiseram mostrar que somos uma boa equipa.”

“Por não ter nada a perder? Não,” respondeu José Gonçalves. “Nós queríamos jogar bem, tu queres sempre acabar bem a temporada. Se tivéssemos pensado antes de entrar em campo que não fazia diferença ganhar ou perder, eu não gosto disso. Queremos acabar a época com a cabeça limpa, ganhámos, é um bom sentimento.”

“Foi um daqueles jogos em que não tínhamos nada a perder mas mesmo assim queríamos lutar para ter a certeza que saíamos com um bom resultado,” acrescentou Diego Fagundez. “Penso que todos mostraram o tipo de equipa que temos, os jogadores que temos. Não chegámos onde queríamos, mas demos um passo em frente, temos que usar isso, lembrar as boas e más coisas e seguimos em frente e arranjamos o que está mal.”

Agora há que refletir e começar já a preparar a próxima temporada

“O talento estava cá, mas às vezes as coisas correm a teu favor, outras vezes não, por vezes cometes menos erros durante a época, outras vezes mais,” disse José Gonçalves. “Tu aprendes, tu progrides, tentas fazer o teu melhor todas as épocas, e a partir daí é que se decide se consegues ou não ir aos play-offs.”

Para Jay Heaps “temos que ser melhores, temos que solidificar algumas posições em campo, queremos ser melhores e não podemos sofrer golos como sofremos, temos que deixar de oferecer golos.”

“Talvez seja louco pensar assim, mas temos muito bom talento neste plantel, as coisas que conseguimos fazer, mas ainda temos muito que podemos acrescentar,” indicou Diego Fagundez. “Este foi um ano difícil para nós, para o ano temos que entrar em força e começar bem.”

“Foi um grande ambiente, muito público, um bom sentimento e penso que estamos todos contentes. Mais uma época, as coisas correram bem, mal, mas temos que seguir em frente. O futebol é assim,” concluiu José Gonçalves.

O Revolution termina assim a época em sétimo lugar, com os mesmos pontos do que o Philadelphia Union. Mas, o desempate foi feito através da diferença entre golos marcados e sofridos e aí a turma de Philadelphia conseguiu uma vantagem de sete golos. Portanto fim de temporada, frustrante, para o New England Revolution.

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