Lee Nguyen vs. Sporting KC
David Silverman

New England Revolution regressa às vitórias, vence o Sporting de Kansas City, 3-1

O Revolution entrou da melhor forma possível neste jogo que precisava de ganhar, adiantando-se no marcador logos aos 3:05, não se deixou afetar pelo golo do empate surgido no início do segundo tempo, e conseguiu dois tentos no curto espaço de nove minutos para levar de vencida o Sporting de Kansas City, por 3-1, em jogo disputado sábado à noite, no Gillete Stadium, em Foxboro.

Dos quatro titulares lesionados que falharam o jogo na semana passada, apenas Kelyn Rowe regressou à titularidade, tendo Je-Vaughn Watson iniciado a partida no banco. José Gonçalves e Gershon Koffie continuaram afastados por lesão. Por isso, Darrius Barnes e London Woodberry jogaram no centro da defesa, com Scott Caldwell a aparecer em terrenos mais recuados para apoiar o setor mais recuado.

O treinador Jay Heaps decidiu alterar ligeiramente o seu esquema tático, com Juan Agudelo, normalmente um dos homens da área, a aparecer mais recuado enquanto Le Nguyen surgiu mais perto da área.

“Adoro [a alteração], porque há muita liberdade, muita movimentação,” disse Agudelo. “Eu e o Lee [Nguyen], alternámos, não fui só eu a jogar mais recuado. Adoro ter toques na bola porque isso dá-me mais confiança para o toque seguinte, foi divertido. Houve algumas tabelinhas que foram divertidas, trouxeram-se um sorriso aos lábios.”

Golo estudado no filme

O Sporting de Kansas City tem a defesa menos batida fora de casa, com apenas 19 golos consentidos, mas começou o jogo praticamente a perder. Lee Nguyen iniciou a jogada com um passe para Juan Agudelo e este lançou em profundidade para Kei Kamara, que partiu isolado para a baliza e colocou junto ao primeiro poste quando o guardião Tim Melia saiu a tentar encurtar o ângulo.

“Nós vimos no filme [dos jogos] que a defesa deles gosta de subir no terreno e fazer pressão alta e eu sabia que um dos centrais vinha ter comigo, por isso dei um toque para passar por ele e sabia que o outro central vinha [fazer a dobra] e aí só estava à espera que o Kei [Kamara] não estivesse fora-de-jogo,” explicou Juan Agudelo. “Ele fez um excelente trabalho em desmarcar-se e depois o Kei fez o que o Kei faz [marca golos].”

A defesa de SKC estava em linha, mas foi apanhada por falta de sincronização e consentiu assim aquele que foi para eles o golo mais madrugador da temporada.

Os Revs tornaram a ameaçar aos 11 minutos, quando um passe largo de Andrew Farrell foi encontrar Lee Nguyen à saída da pequena área, mas Paulo Nagamura fez o desarme em carrinho antes que Nguyen conseguisse fazer o remate.

O golo tornou a estar à vista aos 19 minutos. Um excelente passe em profundidade de Deigo Fagundez encontrou Kamara solto na esquerda, perto da linha lateral. Este correu em direcção à baliza e depois cruzou rasteiro, largo, para a entrada da área, onde surgiu Kelyn Rowe. Mas Melia leu bem o lance e saiu da baliza, acabando por desviar o remate de Rowe.

Até ao intervalo o cariz da partida manteve-se com o Revolution a mostrar perigo no contra-ataque e a defesa bem fechada, a minimizar o impacto dos lances de ataque dos visitantes.

Os minutos finais trouxeram um lance de destaque para cada lado. No Revolution, Diego Fagundez deu para Juan Agudelo e arrancou para receber o passe já dentro da área, optando por um remate em arco que, no entanto, passou por cima do poste.

Por parte de Kansas City, Dominic Dywer apareceu bem dentro da área em posição para rematar, mas sempre que o fez encontrou pela frente o corpo de um defensor da casa e o perigo acabou por não resultar em nada.

Segunda parte começa com golo de Kansas City

Nuno Coelho, ao intervalo, cedeu o lugar a Graham Zusi e a turma visitante surgiu mais afoita no segundo tento, sendo premiada com o golo do empate, aos 49 minutos.

Tudo começou num cruzamento rasteiro de Paulo Nagamura que encontrou Graham Zusi no coração da área, mas Darrius Barnes salvou o que parecia um golo feito quando ofereceu o corpo à bola, que passou sobre a barra. Porém, do canto nasceu o golo. Benny Feilhaber cruzou, Kevin Ellis desviou de cabeça e Dominic Dwyer surgiu junto ao segundo poste a empurrar a bola com o joelho para o fundo da baliza.

Mas, a turma da casa não acusou o golo e gradualmente começou novamente a comandar o jogo. E a equipa acreditou que poderia chegar à vitória.

“Sim, [porque] a energia regressou,” disse Jay Heaps. “Fizemos recuar o Juan [Agudelo] um pouco mais à procura da bola e isso criou um pouco de espaço para o Lee [Nguyen] e começou a criar espaço para o Kei [Kamara], e o Kelyn [Rowe] e o Diego [Fagundez] estavam a lutar imenso. A energia aumentou e a partir daí os nossos passes começaram a acertar e isso foi decisivo para nós.”

“Não queríamos sofrer um golo porque sabíamos que eles são o tipo de equipa que quando marcam um golo fora de casa recuam todos para trás da linha da bola, por isso sabíamos que tínhamos de aumentar o ritmo de jogo, e conseguimos,” acrescentou Kei Kamara.

O primeiro sinal de perigo surgiu aos 55 minutos. Nguyen levantou para Kamara, que arrancou para a baliza, em boa posição, mas Jimmy Medranda conseguiu esticar o pé e desviar pela linha final quando Kamara se preparava para rematar.

Entretanto, não obstante a chuva, os 25.280 adeptos que vieram ao jogo continuavam a puxar pela equipa e o Revolution respondeu, mostrando-se muito dinâmico, virado para o ataque, e em vários lances apenas faltou o passe final.

Com a entrada nos últimos minutos, notou-se uma maior determinação na turma da casa.

“Claro, começamos a pensar que estes são os últimos jogos da época, sabemos que precisamos de ganhar, e perguntámos ‘quem vai ser?’ quem nos vai levar aos play-offs,” explicou Juan Agudelo. “Tivemos vários jogadores que deram tudo para serem eles a fazer isso.”

A esperança renasceu em Foxboro aos 74 minutos. A bola foi colocada em Kamara, no flanco direito, e este cruzou tenso para o lado contrário, onde surgiu Lee Nguyen a controlar e depois a rematar forte. A bola embateu no poste e deslizou, encontrando o pé de Kevin Ellis que, em desequilíbrio, fez o auto golo.

“Nós estávamos em cima deles,” disse Agudelo. “A pressão veio ao de cima.”

“O golo foi um bom prémio, estivemos muito perto do segundo golo e quando marcámos, senti que o terceiro havia de chegar se continuássemos a jogar e não recuássemos, e isso foi uma das coisas que falamos, ter a certeza que não recuávamos demasiado e íamos continuar à procura do terceiro golo.”

Logo a seguir, para fortalecer o meio-campo, o técnico Jay Heaps fez sair Diego Fagundez, entrando para o seu lugar Daigo Kobayashi.

O Revolution arrumou com o jogo aos 75 minutos. Após várias trocas de bola, Nguyen colocou em Kelyn Rowe, mas Melia ofereceu o corpo à bola e desviou pela linha final. Mas, tal como sucedera no golo de SKC, o canto deu golo. A bola foi desviada, mas seguiu até Kamara, que a passou por cima de Ike Opara e depois cruzou rasteiro, surgindo Juan Agudelo à boca da baliza a fuzilar Melia.

Até final, o Revolution continuou a jogar de forma inteligente, retendo a bola e impedindo assim que os visitantes conseguissem ameaçar a baliza do guardião Brad Knighton, que nunca foi colocado à prova.

Jay Heaps satisfeito com o resultado

“Demos uma boa resposta na segunda parte. Ao intervalo conversámos, sabíamos que eles iam mudar o esquema táctico, sabíamos que o [Graham] Zusi ia entrar,” revelou Jay Heaps na conferência de imprensa pós-jogo. “Mas, infelizmente falhámos naqueles três ou quatro primeiros minutos, o que não foi bom e desanimador. A reação depois disso foi boa, começamos novamente a tomar conta do jogo.”

Esperançados em chegar aos play-offs

Com a vitória o Revolution manteve viva a possibilidade de ainda conseguir o apuramento para os play-offs.

“Sabíamos que era um jogo que tínhamos que ganhar,” disse Jay Heaps. “Colocámo-nos numa posição difícil e sentimos que temos de ganhar os jogos em casa e ganhar em Chicago. Temos que ter essa mentalidade, e jogar com o tipo de ambiente dos play-offs. Infelizmente tem sido assim há já algum tempo, mas a rapaziada respondeu à chamada e esperamos continuar a fazer isso.”

“É possível, sem dúvida, se não fosse não teríamos jogado tão determinadamente para conseguir o máximo de pontos,” acrescentou Kei Kamara. “Sim, as coisas terão de correr de feição, mas primeiro temos que tomar conta daquilo que conseguimos controlar, que é ganhar os três pontos.”

Na próxima semana o Revolution desloca-se a Chicago para defrontar o último classificado e na semana seguinte recebe o Montreal Impact para encerrar a temporada regular. Vitórias nestes jogos talvez seja o suficiente para assegurar a passagem à fase seguinte.

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