Kelyn Rowe vs. Columbus Crew SC
David Silverman

Factor casa não ajudou

Era considerado um encontro quase decisivo, pois faltam apenas 10 jogos para o fim do campeonato. Além disso, o Revolution jogava em casa, no Gillette Stadium, frente ao penúltimo classificado, pelo que tudo apontava para uma vitória e o início da recuperação para a turma de Foxboro, mas, as previsões saíram goradas e o Revolution foi surpreendido sábado à noite pelo Columbus Crew SC, sofrendo nova derrota, 2-0.

O Crew SC já não ganhava desde 28 de Maio e os primeiros minutos sugeriram que a série estava para continuar pois o Revolution começou bem e logo no primeiro minuto teve duas situações de perigo, uma quando Lee Nguyen encontrou Teal Bunbury dentro da área, na direita, mas o guardião Steve Clark conseguiu evitar o remate do avançado dos Revs. A outra ocorreu quando Kei Kamara chocou com Harrison Afful e caiu dentro da área quando tentava cabecear.

Aos cinco minutos, Chris Tierney cobrou um pontapé de canto no lado direito, para o segundo poste, onde surgiu José Gonçalves a desviar à entrada da área, mas o cabeceamento saiu demasiado alto.

Normalmente no futebol quem não marca, sofre, e foi isso que aconteceu ao Revolution. Aos oito minutos, Hector Jiminez alongou para Justin Meram, na esquerda. Este correu em direcção a London Woodbery e depois flectiu para a linha final, seguindo-se cruzamento rasteiro que atravessou a pequena área e foi encontrar Ethan Finlay completamento solto de marcação junto ao segundo poste. Um pequeno toque colocou os visitantes em vantagem.

Foi um mau augúrio para os Revs, que só conseguiram uma vitória nos 12 jogos em que o adversário foi o primeiro a marcar, e a equipa pareceu ter acusado o golpe.

“Sim, é muito difícil (sofrer um golo cedo),” confirmou o guardião Brad Knighton. “Sabe, penso que começámos o jogo muito bem. Nós estivemos por cima nos primeiros dez minutos — ou primeiros sete minutos de jogo e depois um ataque deu no golo deles e isso tirou-nos um pouco do ânimo.”

Aos 22 minutos os visitantes tornaram a ameaçar. Um passe em profundidade de Justin Meram isolou Ethan Finlay, mas o guardião Brad Knighton saiu decididamente da baliza e conseguiu evitar o golo.

E aos 40 minutos o segundo golo tornou a estar perto. Durante uma fase de insistência, um excelente passe de Higuain colocou a bola em Mohammed Saeid, mas Knighton conseguiu desviar o remate. O ressalto seguiu até Ola Kamara, mas Knighton, ainda no chão, tornou a desviar e fez o mesmo à recarga de Finlay.

Segunda parte começa mal

Com 20.224 adeptos nas bancadas e perante a situação quase desesperada na tabela classificativa, pois os Revs estão presentemente em oitavo lugar, previa-se uma reacção decidida no segundo tempo. Mas, uma vez mais aconteceu tudo ao contrário e seria Columbus a tornar a marcar primeiro.

Assim, aos 49 minutos, London Woodberry tentou um passe longo, mas foi desarmado por Ola Kamara que correu para a área e no momento certo atrasou para Federico Higuain fazer o golo com um remate forte, na passada.

O Revolution esteve muito de reduzir a desvantagem no minuto seguinte, mas o remate de Chris Tierney, forte e colocado foi desviado, em voo, por Clark, levando a bola a sair pela linha final.

Aí, o técnico Jay Heaps decidiu mexer na equipa. Aos 56 minutos, Teal Bunbury cedeu o lugar a Diego Fagundez e o jovem avançado da casa esteve quase a marcar mal acabara de entrar, mas Steve Clark opôs-se bem ao remate com o pé direito.

Pouco depois, Heaps tornou a virar-se para o banco na tentativa de alterar o rumo dos acontecimentos, desta feita fazendo entrar um avançado, Juan Agudelo, para o lugar de um médio, Gershon Koffie. Com esta alteração mudou igualmente o sistema, algo que acabaria por explicar após o final da partida.

“Penso que quando o Juan [Agudelo] e o Diego [Fagundez] entraram começámos a encontrar melhor os espaços vazios,” explicou Heaps. “O Juan [Agudelo] é tão forte fisicamente que consegue colocar a bola nos espaços e segura a bola, tem a mentalidade de um goleador. Ele está sempre perto do Kei [Kamara]. Nós gostamos imenso da forma como jogou e muito sinceramente, a forma física do Juan [Agudelo] é provavelmente o que o impediu de ser titular hoje. Em termos de onde está o Juan, estamos realmente entusiasmados por ele trazer esse tipo de energia, e penso que ele deveria ter marcado um golo hoje à noite.”

E o certo é que esta mudança esteve muito perto de dar fruto, volvidos escassos dois minutos. Agudelo, na direita, encontrou Lee Nguyen dentro da área, mas a bola foi desviada, sobrando, no entanto, para Kamara, que rodopiou e rematou forte, mas demasiado alto.

O Revolution pensou que tinha finalmente conseguido o golo, aos 74 minutos, quando o cruzamento de Chris Tierney, na esquerda, encontrou Kei Kamara junto ao segundo poste. Este cabeceou de cima para baixo, a bola tabelou no solo e bateu Clark, mas Michael Parkhurst conseguiu esticar o pé e impedir que a bola transpusesse a linha final.

“Acho que (a bola) entrou, mas o que é que eu posso dizer?” disse Kamara após o final da partida. “Eu também tinha marcado um em Toronto em que eu penso que não estava off-side, mas assinalaram, não há nada mais que eu possa dizer sobre isso.”

Nova grande oportunidade para os Revs ocorreu aos 83 minutos. Uma vez mais o lance teve início num excelente cruzamento de Tierney. Desta feita Kamara desviou de cabeça para Juan Agudelo, que conseguiu controlar com o peito e depois rematar, apertado por Parkhurst. Clark desviou o primeiro remate e Parkhurst completou o alívio, antecipando-se à tentativa de recarga de Agudelo.

“É inaceitável, francamente” - Jay Heaps

Na conferência de imprensa após o final da partida, o técnico Jay Heaps não conseguiu esconder a sua desilusão em relação à exibição da sua equipa.

“É inaceitável, francamente,” disse Heaps. “Há alturas no jogo onde você tem que ser sólido, alturas em que conversámos sobre ser sólido, ser agressivo, mas ser agressivo com inteligência.”

Frustrante para Heaps é o facto da sua mensagem não estar a ser bem assimilada no balneário.

“É frustrante, mas ao mesmo tempo, temos de seguir em frente,” indicou Heaps. “Ressoa até ressoar, é seguir em frente, seguir em frente. Todos nós sabemos o que está a acontecer e teremos todos de ser melhores.”

Mais á frente recordou que “são as mesmas jogadas duas semanas seguidas,” algo que considera “desanimador e frustrante”.

Como irá reagir a equipa?

O tempo começa a ficar escasso. Faltam nove jogos. Será que a equipa tem capacidade mental para não desanimar e encontrar força suficiente para conseguir os pontos necessários para assegurar a presença nos play-offs. Essa é a grande questão e não há tempo para pensar no assunto porque o próximo jogo é já na quarta-feira, no Avaya Park, frente ao San José Earthquakes.

“Sim, é uma luta. É realmente uma luta,” disse Kei Kamara. “Você conhece a história desta equipa, joguei contra eles e eles sempre foram capazes de fazer o esforço final para chegar aos playoffs, e quando estão nos play-offs a história tem sido diferente. Então, sabe, eu estou apenas a tentar aprender com eles, qual é a cultura, e ver o que é que eles têm feito no passado na conseguir aquele impulso final em direcção aos play-offs.”

Para Chris Tierney “só é preciso esquecer o que aconteceu, sabendo quão difícil é. Tens de continuar a jogar com orgulho. Continuar a jogar uns para os outros. Tens que voltar a trabalhar e voltar a montar o cavalo. É a única coisa que podes fazer.”

“Neste momento, a única coisa que podemos fazer e ir para o campo e jogar. Descansar a cabeça e voltar ao trabalho,” concluiu Jay Heaps.

O jogo em San José terá início pelas 22:30.

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