Lee Nguyen vs. Philadelphia Union
David Silverman

Golo aos 2 minutos estragou a ‘Noite Portuguesa’

Um golo de C.J. Sapongo logo no segundo minuto da partida abriu caminho para a vitória folgada do Philadelphia Union, 4-0, sobre o New England Revolution no sábado à noite, no Gillette Stadium, estragando assim as celebrações que estavam planeadas durante a primeira ‘Noite Portuguesa’.

Fabinho, o lateral esquerdo de Philadelphia, com três jogadores do Revolution em perseguição, desceu pela esquerda, evitou a tentativa de desarme em carinho de Andrew Farrell, levantou a cabeça e cruzou para o coração da área, onde surgiu C.J. Sapong a antecipar-se aos centrais e a desviar fora do alcance do guardião Bobby Shuttleworth.

Este golo mudou de imediato o cariz da partida, pois o Revolution só conseguiu uma vitória nos 11 jogos em que sofreu o primeiro golo, e o certo é que a equipa da casa demorou algum tempo a encontrar-se.

Mas, antes que isso acontecesse, foi Philadelphia quem tornou a ameaçar, aos cinco minutos. Alejandro Bedoya, o internacional norte-americano que fez a sua estreia pelo Union nesta partida, desceu pelo centro e depois colocou em Fabinho, na esquerda, seguindo-se cruzamento para a área do Revolution onde apareceu Ilsinho a antecipar-se aos centrais e a rematar, mas por alto.

O Revolution só conseguiu responder aos 19 minutos. Após uma série de passes, Lee Nguyen encontrou Diego Fagundez, que arrancou em direcção à área visitante e depois rematou forte e colocado, mas Andre Blake estirou-se bem e com uma defesa aparatosa conseguiu desviar o remate com a ponta dos dedos.

Dois minutos depois, Andrew Farrell cruzou da direita e encontrou Kei Kamara, mas este calculou mal o tempo de salto e com o ombro rematou ao lado.

Aos 38 minutos, uma excelente arrancada de Chris Tierney, pelo seu flanco, levou a bola até Farrell, no flanco contrário, mas o remate saiu à figura de Blake.

Volvidos dois minutos, o Revolution teve a sua melhor oportunidade do primeiro tempo. Durante uma fase de alguma pressão, Teal Bunbury alongou para Farrell, que cruzou para o centro da área, onde surgiu Kamara a elevar-se bem e a cabecear, mas bola foi embater no poste direito e não entrou.

Jogo decidido em apenas três minutos

Devido à forma como a equipa acabara a primeira parte, seria de prever que o Revolution, para mais estimulado pelo triunfo (3-1 sobre Chicago) a meio da semana que colocara a equipa na final da U.S. Open Cup, entrasse no segundo tempo determinado a mudar o resultado. Mas, deu-se precisamente o contrário e Philadelphia, no curto espaço de três minutos, decidiu a partida.

Assim, aos 51 minutos, surgiu o 0-2, numa jogada confusa na grande área do Revolution. Tierney tentou o alívio, mas a bola tabelou num adversário e foi ter a Ilsinho, que passou por Tierney e tentou um remate por entre um cacho de jogadores. O ressalto seguiu até Chris Pontius, que finalizou com um tiro rasteiro, fazendo a bola entrar junto ao segundo poste.

“Esse golo é que foi irritante, porque pareceu-me que pelo menos melhorámos um pouco na ponta final da primeira parte e estávamos a começar a melhorar um pouco. Mas não há desculpas,” considerou o técnico Jay Heaps.

O terceiro golo surgiu três minutos depois. Tranquillo Barnetta cobrou um canto para o segundo poste, a bola foi desviada e à boca da baliza Richie Marquez finalizou de cabeça.

O Revolution ainda tentou reagir e aos 56 minutos um remate de longe de Kelyn Rowe foi desviado com dificuldade por Blake. Lee Nguyen tentou controlar o ressalto, mas caiu na área, com o árbitro Robert Sibiga a mandar jogar.

Jay Heaps ainda tentou dar um safanão na equipa, esgotando as substituições. Diego Fagundez foi o primeiro a sair, aos 59 minutos, cedendo o lugar a Daigo Kobayashi; nove minutos depois Scott Caldwell foi rendido por Zachary Heriveux e, aos 75, Juan Agudelo entrou para o lugar de Nguyen.

Já numa fase de algum desespero, Kamara atirou forte, mas à figura de Blake na sequência de um canto, e pouco depois, após cruzamento de Rowe, cabeceou rente ao poste.

Houve ainda tempo para os adeptos da casa saudarem Charlie Davies, avançado que o Revolution cedeu a Philadelphia há duas semanas.

O resultado foi fixado no último minuto do período de compensação quando Charlie Davies tocou para Roland Alberg e este fuzilou a baliza de Shuttleworth.

“Perder por 4-0 em casa é inaceitável” – Bobby Shuttleworth

“Foi uma exibição que não foi suficientemente boa de nenhum dos jogadores que estiveram em campo,” reconheceu o guardião Bobby Shuttleworth após o final da partida. “Perder por 4-0 em casa é inaceitável. Acho que todos os jogadores têm de dar um passo atrás e compreender que temos mais um jogo em casa no sábado, que temos de ganhar e para isso temos de realizar uma melhor exibição.”

“Quando olhamos para tudo, não podemos colocar o dedo numa só coisa,” sugeriu o treinador Jay Heaps na conferência de imprensa após o final da partida. “Os cruzamentos tornaram a penalizar-nos, não pressionámos a bola. O Sapong fez um bom trabalho no (primeiro) golo, mas se analisarmos os golos encontramos qualquer coisa que falhou em cada um deles. Por vezes é o posicionamento, algo que trabalhamos para evitar, outras vezes é o empenhamento em fazer uma jogada defensiva, por vezes é uma equipa que nos desmorona. Eu posso viver com uma equipa (adversária) a fazer uma jogada, mas considero que a maior parte dos golos que temos sofrido devem-se a coisas que poderíamos ter evitado.”

“Sofrer um golo assim tão cedo é difícil porque a partir daí passamos a correr atrás do prejuízo em vez de jogarmos para ganhar,” acrescentou Lee Nguyen. “(Na segunda parte) não jogámos como na primeira. Reagimos bem ao (primeiro) golo, mas na segunda parte não tivemos a paciência necessária e sofremos alguns golos mal consentidos e a partir daí era difícil dar a volta.”

“Todos os jogadores têm de olhar para dentro de si e perguntar o que é que pode fazer melhor, como é que pode ajudar a equipa a jogar melhor. E depois temos de estudar o filme e chegar preparados aos treinos e trabalhar. Todos os jogadores precisam de trabalhar arduamente esta semana e preparar-se e estar pronto para defrontar Columbus,” concluiu Shuttleworth.

“Só há uma coisa a fazer, arregaçar as mangas” – Jay Heaps

Quando lhe perguntaram o que se poderá fazer para que a equipa possa sair da situação em que se encontra, pois esta derrota atirou com o Revolution para o sétimo lugar, o que equivale a dizer que se o campeonato terminasse hoje a equipa ficaria eliminada dos play-offs, Jay Heaps foi bem claro.

“Da maneira que eu vejo as coisas, só há uma coisa a fazer, que é arregaçar as mangas e começar a trabalhar novamente,” salientou Heaps. “Obviamente, as pessoas estão chateadas, e em termos de derrotas a situação não poderia ser pior. No entanto, ainda estamos nesta luta. Temos 10 jogos e não há ninguém a dizer ‘isto está fora de nosso controle’. Consideramos que quando encarreiramos, somos perigosos. Se não o conseguimos, que foi o que aconteceu hoje à noite, vamos ver algumas equipas a ultrapassarem-nos (na classificação).”

O Revolution torna a jogar em casa, no sábado, dia 20, quando receber o Columbus Crew SC, no Gillette Stadium, com início pelas 19:30 p.m.

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